Laminite em equinos, também conhecida como infosura, é a inflamação das partes moles do casco, com aspecto laminar. Essas "lâminas" unem a parte córnea do casco com a terceira falange (ou tégulo), que é o último osso da pata do cavalo.
Infelizmente, é um problema comum em todos os equinos, embora também tenha sido descrito em ovinos, caprinos e suínos. Mas o sofrido por esses esguios quadrúpedes é o mais grave e o mais comum na clínica veterinária.
Laminite em equinos: uma pequena abordagem da anatomia do casco
No animal sadio, a terceira falange está presa na parte interna da parte córnea do casco por um aparelho suspensor.A superfície interna do capacete é dobrada em forma de lâminas para aumentar o espaço de adesão deste dispositivo suspensor. Em um cavalo com infosura, essas placas falham e a falange não está mais devidamente presa ao casco.

O peso do cavalo e seus próprios movimentos continuarão a empurrar o osso do pé em direção ao solo normalmente. Mas sem a proteção do capacete, os vasos sanguíneos se rompem e os tecidos moles ficam inflamados. Por isso, dores agudas e claudicação não demoram a aparecer.
Início e evolução da doença
A laminite começa quando a causa desencadeia a separação laminar, algo que pode durar entre 30 e 40 horas. Nesse período, antes que os sintomas apareçam nas extremidades, o cavalo costuma apresentar problemas:
- Gastrointestinal.
- Respiratório.
- Reprodutivo.
- Rins.
- Endocrine.
- Imunológico.
Essas alterações multissistêmicas, anatomicamente distantes do casco, devem-se ao desconforto gerado pela desorganização da anatomia laminar. Isso é conhecido como fase de desenvolvimento e nem sempre aparece. Existem animais que vão direto para a fase aguda, sem que tenha ocorrido algum problema de saúde aparente antes.
Fase aguda
Como já dissemos, a fase de desenvolvimento acaba se fundindo com a fase aguda, quando aparecem os primeiros sinais de dor no pé. Dura deste momento até que haja evidência clínica de deslocamento da falange dentro do capacete.
Infosure tende a afetar mais os membros anteriores, presumivelmente porque eles suportam a maior parte do peso do cavalo, cerca de 65%.
Um cavalo com laminite aguda tende a mudar o peso de um pé para o outro. Esse comportamento é, sem dúvida, feito para aliviar a dor. Mesmo assim, em algum momento o animal é forçado a voltar a se apoiar no pé afetado e o desconforto volta sem remédio.
Fase crônica
Se o cavalo não morrer na fase aguda, sofrerá deslocamento da falange dentro do casco. Esta é a marca registrada da laminite crônica e pode ser vista em um raio-x. Os sintomas dessa fase da doença podem durar indefinidamente, entre eles:
- Leve, mas manca persistente.
- Dor intensa, o cavalo vai querer ficar mais tempo deitado.
- Degeneração total dos anexos laminares.
- Deformação da parede do casco.
- Penetração da sola do casco pelo osso deslocado.
Este último sintoma pode levar à osteomielite infecciosa da terceira falange e até descolamento do casco.
Quão grave pode ser a laminite em cavalos?
Pode-se dizer que a laminite é a doença mais grave do pé torto.De fato, é mencionada como a segunda causa de mortalidade em cavalos, depois da cólica. Caso a mortalidade não ocorra por causas naturais, costuma-se recorrer à eutanásia, devido ao sofrimento permanente do animal.
Além disso, apesar dos melhores esforços, a resposta à terapia varia muito entre os indivíduos, dificultando até mesmo um prognóstico preciso.
Nota final: laminite em equinos e sua relação com o trato gastrointestinal
A maioria dos autores afirma que a laminite é uma sequela de um evento remoto, não relacionado ao pé. Isso, à primeira vista, pode parecer estranho. Mas muitas vezes foi demonstrado que esta doença envolve diretamente o trato gastrointestinal. As causas foram descritas como:
- Consumo excessivo de grãos e carboidratos.
- Inflamação do intestino delgado.
- Cólicas.
- Diarreia aguda.
Mas existe uma causa que desperta, em especial, a curiosidade de muitos veterinários. É a alteração do metabolismo da insulina. Cavalos com histórico de resistência à insulina são considerados propensos a laminite.
Para testar essa hipótese, estudos experimentais têm sido realizados em cavalos, monitorando alguns espécimes com hiperinsulinemia prolongada. Todos acabaram desenvolvendo laminite em menos de 72 horas.

Por isso, recomenda-se que os equinos façam exames de sangue regularmente. Assim, se for detectada hiperinsulinemia, podem ser utilizadas técnicas para reduzir sua concentração no sangue e, principalmente, restaurar a sensibilidade à insulina. Por exemplo, através de dietas de redução de peso com baixo índice glicêmico e exercícios moderados.