Laminite em equinos: relação com o aparelho digestivo

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Anonim

Laminite em equinos, também conhecida como infosura, é a inflamação das partes moles do casco, com aspecto laminar. Essas "lâminas" unem a parte córnea do casco com a terceira falange (ou tégulo), que é o último osso da pata do cavalo.

Infelizmente, é um problema comum em todos os equinos, embora também tenha sido descrito em ovinos, caprinos e suínos. Mas o sofrido por esses esguios quadrúpedes é o mais grave e o mais comum na clínica veterinária.

Laminite em equinos: uma pequena abordagem da anatomia do casco

No animal sadio, a terceira falange está presa na parte interna da parte córnea do casco por um aparelho suspensor.A superfície interna do capacete é dobrada em forma de lâminas para aumentar o espaço de adesão deste dispositivo suspensor. Em um cavalo com infosura, essas placas falham e a falange não está mais devidamente presa ao casco.

O peso do cavalo e seus próprios movimentos continuarão a empurrar o osso do pé em direção ao solo normalmente. Mas sem a proteção do capacete, os vasos sanguíneos se rompem e os tecidos moles ficam inflamados. Por isso, dores agudas e claudicação não demoram a aparecer.

Início e evolução da doença

A laminite começa quando a causa desencadeia a separação laminar, algo que pode durar entre 30 e 40 horas. Nesse período, antes que os sintomas apareçam nas extremidades, o cavalo costuma apresentar problemas:

  • Gastrointestinal.
  • Respiratório.
  • Reprodutivo.
  • Rins.
  • Endocrine.
  • Imunológico.

Essas alterações multissistêmicas, anatomicamente distantes do casco, devem-se ao desconforto gerado pela desorganização da anatomia laminar. Isso é conhecido como fase de desenvolvimento e nem sempre aparece. Existem animais que vão direto para a fase aguda, sem que tenha ocorrido algum problema de saúde aparente antes.

Fase aguda

Como já dissemos, a fase de desenvolvimento acaba se fundindo com a fase aguda, quando aparecem os primeiros sinais de dor no pé. Dura deste momento até que haja evidência clínica de deslocamento da falange dentro do capacete.

Infosure tende a afetar mais os membros anteriores, presumivelmente porque eles suportam a maior parte do peso do cavalo, cerca de 65%.

Um cavalo com laminite aguda tende a mudar o peso de um pé para o outro. Esse comportamento é, sem dúvida, feito para aliviar a dor. Mesmo assim, em algum momento o animal é forçado a voltar a se apoiar no pé afetado e o desconforto volta sem remédio.

Fase crônica

Se o cavalo não morrer na fase aguda, sofrerá deslocamento da falange dentro do casco. Esta é a marca registrada da laminite crônica e pode ser vista em um raio-x. Os sintomas dessa fase da doença podem durar indefinidamente, entre eles:

  • Leve, mas manca persistente.
  • Dor intensa, o cavalo vai querer ficar mais tempo deitado.
  • Degeneração total dos anexos laminares.
  • Deformação da parede do casco.
  • Penetração da sola do casco pelo osso deslocado.

Este último sintoma pode levar à osteomielite infecciosa da terceira falange e até descolamento do casco.

Quão grave pode ser a laminite em cavalos?

Pode-se dizer que a laminite é a doença mais grave do pé torto.De fato, é mencionada como a segunda causa de mortalidade em cavalos, depois da cólica. Caso a mortalidade não ocorra por causas naturais, costuma-se recorrer à eutanásia, devido ao sofrimento permanente do animal.

Além disso, apesar dos melhores esforços, a resposta à terapia varia muito entre os indivíduos, dificultando até mesmo um prognóstico preciso.

Nota final: laminite em equinos e sua relação com o trato gastrointestinal

A maioria dos autores afirma que a laminite é uma sequela de um evento remoto, não relacionado ao pé. Isso, à primeira vista, pode parecer estranho. Mas muitas vezes foi demonstrado que esta doença envolve diretamente o trato gastrointestinal. As causas foram descritas como:

  • Consumo excessivo de grãos e carboidratos.
  • Inflamação do intestino delgado.
  • Cólicas.
  • Diarreia aguda.

Mas existe uma causa que desperta, em especial, a curiosidade de muitos veterinários. É a alteração do metabolismo da insulina. Cavalos com histórico de resistência à insulina são considerados propensos a laminite.

Para testar essa hipótese, estudos experimentais têm sido realizados em cavalos, monitorando alguns espécimes com hiperinsulinemia prolongada. Todos acabaram desenvolvendo laminite em menos de 72 horas.

Por isso, recomenda-se que os equinos façam exames de sangue regularmente. Assim, se for detectada hiperinsulinemia, podem ser utilizadas técnicas para reduzir sua concentração no sangue e, principalmente, restaurar a sensibilidade à insulina. Por exemplo, através de dietas de redução de peso com baixo índice glicêmico e exercícios moderados.