Ações judiciais por danos causados ​​por gado

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Anonim

A pecuária é uma das mais antigas e importantes atividades produtivas que a humanidade desenvolveu. Mas a convivência do campo com os centros urbanizados trouxe novos desafios, inclusive no campo jurídico. E uma das questões que costuma gerar dúvidas é em relação aos danos causados pelo gado.

Apesar de não acontecer com frequência, eventualmente os animais da fazenda podem escapar e causar danos à propriedade de terceiros; eles também podem causar acidentes que causam lesões corporais graves ou danos a outras pessoas.

Nestes casos, e de acordo com a legislação espanhola, quem tem o dever e competência para responder pelos danos causados pelo gado? E, ainda, como são determinadas as sanções ou indenizações que o responsável deve pagar às vítimas?

Código Civil: o que diz sobre responsabilidade por danos causados por animais?

Quando falamos de responsabilidade civil implícita na atividade pecuária, ou seja, na criação de gado, devemos recorrer ao Código Civil espanhol para encontrar um marco regulatório sobre possíveis danos e prejuízos causados pelo gado em áreas rurais.

Da mesma forma, é importante destacar que as normas vigentes sobre a permanência de animais soltos em áreas rurais podem variar um pouco em cada comunidade autônoma. No entanto, o artigo 1.905 do Código Civil é bastante objetivo ao afirmar que:

“O dono do animal, ou aquele que o utiliza, é responsável pelos danos causados, mesmo que ele escape ou se perca. Esta responsabilidade só cessará no caso de o dano decorrer de força maior ou culpa de quem o sofreu.”

Portanto, espera-se que a responsabilidade pelos danos causados pelo gado e pelos acidentes que possam resultar de sua permanência em locais inapropriados – por exemplo, no meio de uma estrada – recaia sobre seu proprietário.São também cobrados os danos causados à pessoa nomeada pelo proprietário como arrendatário ou usufrutuário de um ou mais animais.

Desta forma, fica evidente que se trata de responsabilidade objetiva pelo simples fato de ser o 'dono' –temporário ou permanente– da posse do gado. Nesse sentido, não devemos esquecer que os animais carecem de personalidade jurídica especial na Espanha; e é que ainda são tratados como bens pessoais que podem ser distribuídos, apreendidos e até hipotecados.

Também é importante observar que a responsabilidade civil não está vinculada ao benefício comercial obtido –ou não– da pecuária. Ou seja, mesmo que uma pessoa adquira e crie gado para sua própria subsistência, por exemplo, ela ainda terá a obrigação de responder como proprietária pelos danos causados por seus animais a terceiros.

Como o proprietário deve responder pelos danos causados?

O proprietário deverá responder financeiramente pela reparação dos danos causados por seus animais, ou então pagar a indenização determinada pelos órgãos competentes.

No caso de danos físicos ou danos à saúde, derivados do ataque ou acidentes causados pelo gado, o proprietário também pode ser obrigado a reembolsar as despesas médicas necessárias para a recuperação ou reabilitação das vítimas. Nesta questão será muito importante que haja seguro.

E quem deve ser responsabilizado financeiramente pelos danos causados pelo gado? Como podemos constatar, devem responder aquelas pessoas que utilizam ou 'utilizam' as capacidades físicas ou qualquer serviço a que animais que causem danos ou prejuízos a terceiros. O respeito pelo bem-estar animal não deve ser esquecido.

Além do proprietário, a responsabilidade civil também pode ser atribuída ao locatário, ao mutuário ou ao usufrutuário do gado, conforme a relação estabelecida com o proprietário do animal.

Por sua vez, os profissionais que prestam cuidados temporários ao gado, como pastores e veterinários, não precisarão responder nesses casos. Isso, independentemente de terem vínculo empregatício estável com o proprietário, ou exercerem sua profissão de forma independente.

Por sua vez, espera-se que a vítima faça a denúncia em até 12 meses após o acidente ou lesão. Como é lógico, a reclamação será analisada judicialmente para verificar sua procedência.

Por tudo isso, recai sobre a vítima a responsabilidade de homologar as provas sobre a causa e o nexo causal do dano. É de vital importância coletar dados sobre a propriedade do animal ou animais envolvidos no acidente.