Em 1963, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) decidiu empreender a criação de um documento que refletisse a conservação das espécies em todo o mundo. Assim nasceu o Livro Vermelho, também chamado de Lista Vermelha. A seguir, informaremos em que consiste este documento e por que sua atualização é tão importante.
O que é o Livro Vermelho?
Este documento é considerado como o mais completo inventário do estado de conservação mundial de todas as espécies animais e vegetais.
É produzido pela IUCN, a maior organização ambiental do mundo, fundada em 1948. Além disso, muitos países e organizações elaboram seu próprio Livro Vermelho, que inclui espécies regionais especialmente vulneráveis.
Especialistas de outras organizações estão envolvidos na sua preparação como BirdLife International ou a Sociedade Zoológica de Londres. Com base em uma série de critérios de risco de extinção, eles atualizam o Livro Vermelho anualmente.
O que mais, uma revisão em larga escala é realizada a cada quatro anos, e novas espécies são adicionadas ou removidas por meio de um processo intensivo de revisão por pares.
O objetivo final do livro é aumentar a consciência pública sobre a urgência e a necessidade de conservação das espécies.Também serve como ferramenta para ajudar e aconselhar a comunidade internacional.
Que categorias tem?
De acordo com o risco de extinção da espécie, atualmente A IUCN considera nove categorias ou graus de risco, ordenado do maior para o menor:
- Extinto
- Extinto na natureza.
- Em perigo crítico.
- Em perigo.
- Vulnerável.
- Quase ameaçada.
- Preocupação menor.
- Dados insuficientes.
- Não avaliado.

As diferentes espécies podem variar seu grau de risco, dependendo da análise anual. Por exemplo, em 2022-2023 o gorila da montanha (Gorila beringei beringei) passou de ‘criticamente em perigo’ a ‘em perigo’ graças à recuperação da sua população.
Outro exemplo é a tartaruga mexicana (Gopherus flavomarginatus), que passou de 'vulnerável' para 'criticamente em perigo'. Isso se deve, em grande parte, à perda de seu habitat.
E quanto à espécie na Espanha?
Dentro de nossas florestas, mares e montanhas, existem muitas espécies que estão catalogadas no Livro Vermelho. É o caso de Macaco de BarbaryMacaca sylvanus), que mora no Rochedo de Gibraltar. Atualmente está na categoria 'em perigo'.
Outro animal que se enquadra nessa categoria é o Musaranho canário (Crocidura canariensis), um pequeno animal endêmico das ilhas.

Um exemplo que pode ser surpreendente é o do coelho comum (Oryctolagus cuniculus). Apesar de estar incluído na lista das 100 espécies exóticas invasoras mais nocivas do mundo, seu status atual é classificado como "quase ameaçado".
Grande parte da redução de sua população tem origem viral. O expoente mais claro é a mixomatose, uma doença transmitida por pulgas e carrapatos que matou até 90% dos coelhos selvagens.
A redução no número de coelhos, por sua vez, está afetando outros animais que se alimentavam do coelho. É o caso de Lince ibérico (Lynx pardinus), que também está listado no Livro Vermelho como "em perigo".
O Águia imperial ibéricaAquila adalberti) também foi afetado pelo desaparecimento do coelho e é atualmente considerado "vulnerável" pela IUCN.
Tudo isso destaca a importância da conservação do habitat, tarefa em que todos podemos contribuir em maior ou menor grau.
Fonte principal da imagem | https://www.iucn.org/