Os cefalópodes pertencem ao filo dos moluscos e compreendem cerca de 700 espécies que incluem polvo, lula, choco e náutilo. Os cefalópodes são animais extraordinários capaz de estratégias incríveis: por exemplo, eles podem passar despercebidos ao mudar sua coloração. Eles também podem ejetar jatos de tinta para desorientar seus predadores.
Além dessas características fascinantes, muitos podem brilhar na escuridão abissal do oceano ou, no caso do polvo, se contorcer em formas improváveis.
O que os habilita a desempenhar tais funções?
A resposta em três palavras é: controle neural. Por exemplo, a mudança de cor é realizada pelas células de pigmento localizadas no manto. Essas células possuem pigmentos que se expandem ou condensam à vontade por meio de uma contração muscular controlada pelo sistema nervoso.
As fugas rápidas que caracterizam esses animais são feitas graças ao seu mecanismo de propulsão a jato. Isso é possível graças ao sistema gigante de fibras nervosas motoras, que controla as poderosas contrações dos músculos do manto. Essa musculatura forte permite que a água escape sob pressão da cavidade paleal.

Neurônios de lula como objeto de estudo
Não admira cefalópodes são estudados por neurologistas em todo o mundo. Eles detectaram um enorme controle muscular nos polvos que lhes permite, por exemplo, se esconder em espaços 10 vezes menores que seus corpos.
Na lula, os cientistas descobriram a capacidade de editar o código genético não apenas no núcleo de seus neurônios, mas também no axônio. Deve-se notar que os axônios são as projeções longas e finas que transmitem sinais para outros neurônios. O estudo acima mencionado foi realizado em lulas de barbatana longa (Doryteuthis pealeii) e constitui o primeiro relatório que a informação genética pode ser editada fora do núcleo de uma célula animal.

Por que essa característica da lula é importante?
A primeira razão é que aprofunda nossa compreensão da plasticidade neural. Deve-se notar que a plasticidade neural se refere à capacidade do sistema nervoso de alterar sua estrutura e função. Isso permite uma adaptação rápida da resposta do animal a um ambiente em mudança. Este processo é vital para a sobrevivência do animal.
Lulas são mestres na edição do código genético. Já em 2015, o mesmo grupo de pesquisa relatou que as lulas editam as informações que viajam no RNA mensageiro (mRNA) de forma superlativa. Eles estimaram que esse processo em lulas excedeu a edição de mRNA em humanos em várias ordens de magnitude.
EO RNA mensageiro é uma molécula de vital importância no funcionamento das células dos seres vivos. Ele transfere o código genético do DNA nuclear da célula para os ribossomos, onde as proteínas são produzidas. O mRNA é a tradução de certos fragmentos do DNA animal que são "interpretados" pelos ribossomos, para que possam reconstruir as proteínas conforme exige o código genético do animal.
A função de editar o mRNA "localmente" abre a possibilidade de que, em teoria, esses neurônios ajustam o tipo de proteínas que serão produzidas e, portanto, eles são adaptados às necessidades particulares e específicas da célula. Em segundo lugar, o uso desse conhecimento pode ajudar no futuro no tratamento da disfunção dos axônios que está associada a muitos distúrbios neurológicos em humanos.

Nota final
A edição de RNA é um processo biológico que proporciona maior versatilidade na expressão de diferentes versões da mesma proteína. Para sobrevivência, A edição de mRNA é muito mais segura do que a edição de DNA (mutações com maior potencial deletério para o animal). Em caso de erro, ele é corrigido degradando a molécula de RNA, enquanto o erro de DNA permanece.
Existem muitos processos ainda desconhecidos para os humanos no que diz respeito ao funcionamento do mundo animal. Olhando para os processos dos sistemas animais, é possível que com o tempo encontremos soluções para as patologias humanas. Por isso, este tipo de estudo é essencial: não só para a aquisição de conhecimentos, mas para a sua possível utilidade no tratamento de doenças.